Estava sentada à frente dele, observando enquanto ele tirava algumas notas aleatórias do velho violão batido. Ele não toca pra muitas pessoas, na verdade ele não toca pra ninguém! Explica que aprendeu a tocar para ele, que é algo que o faz sentir bem, sendo assim não via sentido em ficar se exibindo por aí com o instrumento. Seu cabelo balançava de um forma hipnótica a cada acorde e de olhos fechados era como se tentasse entender o que as notas tinham para lhe dizer. Ficou assim por alguns minutos, sem de fato produzir uma melodia. Suas expressões me atraiam de tal forma que eu não era capaz de desviar o olhar e piscar não era uma tarefa tão fácil. Era como se algo houvesse dominado meu corpo, como se minha alma estivesse a mercê daqueles sons e movimentos. Então parou. Me olhou nos olhos por alguns instantes e então, sem dizer qualquer palavra, voltou a movimentar-se graciosamente. Dessa vez as notas juntaram-se em melodia. A música era linda mas simplesmente não conseguia prestar muita antenção. Ele estava tocando, e lá estava eu, a poucos passos, observando. Não tem como expressar uma explicação para as sensações. Não era algo normal, apesar de ser. O que era comum sem sua presença agora tinha se transformado em um conto de fadas, como se estivesse presa em um sonho. Um sonho do qual não quero acordar.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
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2 comentários:
É disso que os sonhos são formados: sensações. E vice-versa. Por que não?
Não se precisa de provas pra sentir nada. Apenas sinta.
Lindo, adorei.
Não era algo normal, apesar de ser.
Essa fala MUITO e NADA.
Adorei teus textos!
Parabéns!
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